PROTEXTO Além dos Fatos NONATO NUNES


EVANGÉLICO ATACA O FREI DAMIÃO

MONUMENTO AO FREI: O SEGUNDO MAIOR DO BRASIL

Evangélico ataca o frei Damião

Ícones religiosos sempre carregam atrás de si algum mistério. E tanto católicos quanto protestantes buscam evidenciar as falhas de comportamento dessas “personificações do poder de Deus” para desacreditá-las perante seus seguidores. Alguns desses ícones transformaram o poder da oratória em verdadeira “chibata” contra seus inimigos de fé. Martinho Lutero (1483 – 1546) pregou contra pobres camponeses que teriam interpretado mal sua oratória. O monge agostiniano ordenara que essas pobres criaturas fossem mortas a pauladas “Como cães raivosos”. “Socai e matai a mais não poder” (G. Tuchle e C.A.Bouman, Nova História da Igreja, Vol. 3), pregava o revoltoso contra homens e mulheres que entenderam a liberdade como sendo física (do jugo dos senhores feudais), não espiritual, como pregava Lutero.

 

O texto abaixo também deixa claro o antissemitismo do monge:

 "A Alemanha deve ficar livre de judeus, aos quais após serem expulsos, devem ser despojados de todo dinheiro e jóias, prata e ouro, e que fossem incendiadas suas sinagogas e escolas, suas casas derrubadas e destruídas (…), postos sob um telheiro ou estábulo como os ciganos (…), na miséria e no cativeiro assim que estes vermes venenosos se lamentassem de nós e se queixassem incessantemente a Deus".

Pois bem. Navegando pela internet encontrei um texto escrito por Samuel Fernandes Magalhães  Costa (ao que parece um evangélico da Igreja Congregacional, de Guarabira) em que ele ataca o comportamento do frei Damião nas missões que fazia pelo Nordeste, e mais particularmente na Paraíba. Conforme ele diz o frei costumava estimular a depredação de templos religiosos do credo protestante. Uma prova, segundo ele, foi a investida de católicos contra a cerimônia de inauguração do templo da Igreja Congregacional, em Guarabira, no dia 21 de abril de 1937. Conforme Magalhães Costa, embasado na ata dos trabalhos, teria ocorrido o seguinte:

 A agressão ocorreu no início da noite de inauguração do templo, no dia 21 de abril de 1937, na gestão do pastor Artur Pereira Barros. A ata da igreja descreve: ‘[...] um grande auditório cuja bancada estava repleta de famílias, inclusive crianças. Foram estes atacados de improviso por fanáticos do Frei Damião [...].’ Esse cerco durou mais ou menos três horas, tornando-se mais perigoso quando indivíduos previamente preparados lançavam pedras nos fios desligando a energia elétrica. Nesta ocasião a maior parte do povo arriscando a vida começou a saltar por cima dos muros, permanecendo no templo os pastores e alguns membros [...]”.

Conforme o pastor Sandro Fernandes Paiva, dirigente da Igreja Congregacional, “Hoje ela tem as portas de vidro, pois não tememos mais os fiéis de frei Damião”.

No portal www.chamada.com.br há mais depoimentos de pessoas que teriam testemunhado o frei Damião pregar a destruição dos templos protestantes. Uma das frases ditas pelo frei teria sido esta: “Não é pecado perseguir os protestantes, pois eles são inimigos da Santa Igreja Católica.”

E assim as guerras religiosas vão sobrevivendo aos séculos, e seguem renegando o elementar princípio cristão do

“Amai-vos uns aos outros.”

 

 



Escrito por NONATO NUNES às 17h35
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TRATADO SOBRE A TOLERÂNCIA

VOLTAIRE: PELA TOLERÂNCIA

“Tratado sobre a tolerância”

Tratado sobre a tolerância”, de Voltaire (1694 - 1778), é uma das relíquias literárias que de tempos em tempos nos são “devolvidas pelas traças da ignorância” para comprovar duas verdades: que a Razão sublima as boas ações e que a intolerância é a centelha da injustiça. Pois bem. O caso que serviu de embasamento para o libelo de Voltaire ocorreu na cidade francesa de Toulouse. Na segunda metade do século 18 a intolerância religiosa grassava em cada família, pois católicos e protestantes viviam em completa dissonância. Ambas as facções se defrontavam nas ruas e não eram poucas as mortes. Não faltava quem não buscasse pretexto para incendiar ainda mais essas relações com histórias inventadas. Era comum ainda a produção de falsas provas contra o acusado, fosse de que credo fosse. Em nome de Deus se cometia as mais estapafúrdias injustiças por meio de julgamentos sumários e execuções sem provas.

Em Toulouse residia uma tranquila família cujo chefe, João Calas, era um próspero comerciante. Além da esposa e do marido residiam ainda vários filhos e uma criada que já acompanhava a família há décadas. Afora a criada e um filho de nome Marco Antônio, todos os demais Calas eram protestantes. É provável que o fato a ser narrado tenha ocorrido em 13 de outubro de 1761. Nesse dia a família recebeu, para jantar, um jovem amigo de nome Lavaisse, recentemente chegado de Bordeaux. Marco Antônio os acompanhou na refeição, mas estranhamento o jovem, de 28 anos, desapareceu logo após o jantar. Quando desceram, Lavaisse e Pedro Calas (um dos filhos de João) encontraram Marco Antônio, junto da loja, enforcado. O desespero tomou conta de todos. A mãe se descontrolou, o pai quase vai à loucura e o fato foi comunicado às autoridades. Logo uma aglomeração de curiosos se formou na frente da residência dos Calas. É aí que começa o histórico de infortúnios daquela família. Alguém, no meio da multidão, conforme relata Voltaire, daria a senha fatídica: João Calas teria enforcado o filho como punição por ter Marco Antônio se recusado a professar o credo protestante. A história foi repetida por toda a cidade e vizinhanças. Vieram, então, os adendos. O crime teria sido perpetrado pelo pai com a colaboração da mãe, dos irmãos e do amigo Lavaisse. Esse entrou na história como a pessoa que fora a Toulouse, proveniente de Bordeaux, especialmente para assassinar o jovem Calas.

Aos amigos o suicida já manifestara o desejo de tirar a própria vida. Não se ajustava a nenhuma profissão, era tido como violento e não poderia exercer o ofício de advogado. É que para isso necessitava de um “certificado de catolicidade”, o qual não obtivera. E assim a situação foi se complicando cada vez mais. Sem perspectivas futuras, o pobre moço encontrou no suicídio a solução final para os problemas que o afligiam.  Uma fatalidade que viria a ocorrer exatamente no dia da visita do jovem Lavaisse. Na sequência dos fatos, Voltaire, no seu Tratado..., conta que logo os católicos transformaram o morto em mártir. Apareceram milagres, fenômenos, aparições e outras coisas típicas do fanatismo mais pernicioso. O suicida fora inumado da maneira mais extravagante e em meio a um grave clima de comoção.

Por sua vez, todos os Calas foram presos e como tal passaram a aguardar a sentença. O destino daquela família estava agora nas mãos de treze (13) magistrados. No início do processo sete (7) dos treze eram a favor de uma análise mais acurada de todo o processo. Ao final, a condenação de João Calas foi aprovada por 8 dos 13 juízes, pois dois dos que a princípio eram contra a condenação mudaram de opinião. E assim o pobre pai foi condenado a morrer no “suplício da roda”, uma forma de punição em que a vítima era manietada até a morte. A senhora Calas, mais os filhos e o jovem Lavaisse seriam soltos por força de apelos e também pelo “mea-culpa” daqueles injustos magistrados.

Voltaire, que fixara residência em Ferney (hoje, com muita justiça, Ferney-Voltaire) passou a escrever em favor daquela infortunada família. Em conseqüência, aumentou o ódio que já nutria contra a Igreja Católica. As práticas dos representantes de São Pedro eram o tema central dos escritos daquele que recebera um tomo à parte na monumental História da Civilização, de Will (e Ariel) Durant.

Em nome da Razão e da liberdade de expressão, recomendo a leitura do livro “Tratado sobre a Tolerância”. 

 

Lógico, para aqueles que veem na Justiça Divina um alento para as injustiças do Homem.

 

 



Escrito por NONATO NUNES às 16h05
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PRESSA: A INIMIGA DA REDAÇÃO

TEXTO: CONSTRUÇÃO SEM PRESSA

Pressa, a inimiga da redação

 

Achei que eu houvesse entendido mal. Então esperei que a mesma “chamada” fosse repetida. E aí ficou confirmada a construção de uma frase de sentido – no mínimo - duvidoso: “Rômulo Gouveia diz que violência será uma das metas do governador Ricardo Coutinho.” Afinal, qual o real sentido daquela construção? O senhor Ricardo Coutinho vai ou não combater a violência? Ora, se alguém diz que “(....) violência será uma das metas do governador (....)” fica, para o caro “leitornauta”, a preocupante conclusão de que teremos o aumento da violência no Estado se levarmos em consideração a frase da forma como foi construída. Não ficaria melhor esta: “Rômulo Gouveia diz que combate à violência será uma das metas do governador... Bem, entre a primeira e a segunda, claro, fico com a última.

Mas a construção de frases de sentido duvidoso e/ou jocoso já faz parte do “anedotário” da Imprensa brasileira – e não apenas da nossa, diga-se de passagem. Algum tempo atrás li que o extinto Jornal do Brasil, o lendário JB, havia publicado a seguinte manchete: “Brizola diz que não disse o que disse em Lisboa.” Pode ser até que o autor tenha tido um “surto verborrágico”; mesmo assim, porém, é preciso reconhecer que a frase não está errada; ficou apenas, digamos, um tanto jocosa. Mas a lista de frases engraçadas acaba criando uma espécie de “bestiário jornalístico” pelos embaraços que podem causar. Eu me lembro de uma manchete que estava sendo editada na página de política do extinto O Momento. A construção ficou assim: “Geralda é esquema de Braga.” É que o editor da página não dispunha do espaço necessário para construir algo melhor, e se não fosse a perspicácia do editor geral Walter Santos, o jornal iria ficar numa verdadeira “saia-justa”. Na verdade a manchete apenas queria dizer que a senhora Geralda Medeiros (acho que à época deputada estadual) havia aderido ao “esquema político” do senhor Wilson Braga. Ah...bom.

Mas a mais engraçada mesmo me foi contada pelo colega Gilvan de Brito (cineasta, escritor, pesquisador, teatrólogo, compositor etc.). A terrível cacofonia, publicada no jornal O Norte, ficou assim: “Doença ataca gado no sertão.” “Ataca gado” foi o máximo... A impressão que o leitor teve foi a de que o gado foi atacado por um surto de diarreia graças ao “milagre sintático” conseguido pelo autor. A última dessas “preciosidades” da Língua foi publicada na página policial do velho e bom jornal A União. Segundo me contaram a manchete teve esta construção: “Cadáver é encontrado morto em matagal.” Não precisa dizer que a frase simplesmente “mata o morto”.

Esses deslizes de construções frasais, no entanto, devem ser interpretados como “coisas atípicas”. É que uma das exigências da redação jornalística é a velocidade de raciocínio e de escrita, o que contribui, sobremaneira, para aumentar os índices de erros (de revisão ou de impressão). Segundo os especialistas é o jornalismo uma das três categorias profissionais que mais estressam. Eis aí, portanto, razão mais do que suficiente para que construções como as citadas acima venham a público e entrem para o nosso “bestiário jornalístico”.

Mas que são engraçadas... disso não há a menor dúvida. Mas vamos dar um desconto, pois, ao final, ninguém neste mundo é onisciente.

 

Ou você é?

 



Escrito por NONATO NUNES às 10h03
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A PODER DA VÍRGULA NO TEXTO

VÍRGULASINAL QUE  PODE MUDAR UMA HISTÓRIA

Vírgula, sinal que pode mudar uma história

O texto abaixo fez parte das comemorações dos 100 anos de fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), fundada em 7 de abril de 1908, portanto há mais de três anos. Mas só há pouco me foi enviado pelo amigo Zé Cláudio, um dos meus raríssimos leitores. O texto é primoroso e revela a importância da vírgula na composição da Língua Portuguesa, sobretudo na construção de frases. Lendo o texto da ABI me veio à memória uma brincadeira que o padre Antônio Vieira (1608 – 1697), o maior orador sacro da colônia, fez com uma passagem bíblica e fazendo uso exatamente da vírgula. Há uma frase que diz: “Ressuscitou, não está entre nós.” O padre simplesmente deslocou o sinal de pausa para mais adiante, logo após o advérbio “não”, e a frase tomou sentido completamente diferente: “Ressuscitou não, está entre nós.”  A primeira frase corrobora o dogma da ressurreição, mas a segunda o nega completamente. Imagine o estrago que o simples deslocamento da vírgula causaria na fé católica...

Bem, agora vamos ao texto da ABI:

Sobre a Vírgula 
  
Campanha dos 100 anos da ABI
 
(Associação Brasileira de Imprensa). 
 
 
 “Vírgula pode ser uma pausa... ou não. 
 Não, espere. 
 Não espere.. 
  
 “Ela pode sumir com seu dinheiro. 
 23,4. 
 2,34. 
  
 “Pode criar heróis.. 
 Isso só, ele resolve. 
 Isso só ele resolve. 

 “Ela pode ser a solução. 
 Vamos perder, nada foi resolvido. 
 Vamos perder nada, foi resolvido. 
  
 “A vírgula muda uma opinião. 
 Não queremos saber. 
 Não, queremos saber. 
  
 “A vírgula pode condenar ou salvar.  
 Não tenha clemência! 
 Não, tenha clemência! 
  
 “Uma vírgula muda tudo. 
 ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação. 
  
“Detalhes Adicionais:


“SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À  SUA PROCURA. 
   
“Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...

 “Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...”




 



Escrito por NONATO NUNES às 05h40
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COMUNICADO

 

 

E lá se foram meus pobres textinhos...

De repente o "Protexto anterior" deu pane e não aceitava mais atualizações. Uma mensagem informava que não havia mais espaço para as costumeiras atualizações do blogue e que este deveria ser "republicado". Fiz todos os procedimentos que a mensagem indicava. E nada. Resultado: caí na tentação de deletar arquivos para liberar espaços. Nada. A mensagem continuava dizendo que aquele procedimento de nada iria adiantar. No fim das contas perdi cerca de dois mil artigos escritos ao longo de seis (6) anos no Protexto.zip.net. Após uma verdadeira batalha para continuar escrevendo e já ciente de que havia perdido tudo, consegui finalmente recriar o Protexto, mas sem os artigos escritos, pois o blogue, e tudo o que havia nele, foram "pelos ares".

Surgiu, então, a velha "teoria da conspiração": será que não foram os hackers? Ah, tenha paciência, esses caras têm mais o que fazer, ora...

Agora retomo a caminhada do mesmo ponto de partida.

Um abraço.



Escrito por NONATO NUNES às 16h01
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BRASIL E ÍNDIA: QUEM É QUEM

ÍNDIA: BEM PARECIDO COM O BRASIL

Brasil e Índia: quem é quem

 

Brasil e Índia têm muito em comum entre si: pobreza, fome e condições subumanas de vida. Lá, como cá, existe uma imensa concentração de renda e os pobres são mantidos a distância. Mas têm três quesitos em que o gigante do Cone Sul é imbatível quando comparado à Índia: a prostituição, a violência e o tráfico de drogas. No primeiro caso é comum por aqui meninas vestindo trajes mínimos se prostituindo em cada esquina. No país de Mahatma Ghandi e Nehru as mulheres, mesmo pobres, mantém sua dignidade pessoal e buscam ocupar seu espaço numa sociedade que se abre para o mundo capitalista sem perder de vista elementares princípios de cunho moral e ético. Ali não há tráfico de drogas. Não é difícil explicar o porquê. O jovem indiano – e não importa a idade – mantém estreitos os vínculos familiares. Os pais mantêm seus filhos dentro de rígidas regras sociais. A autoridade paterna, é, assim, a base da unidade da família.

Em termos econômicos a Índia cresceu em média, nos últimos dez anos, 6,2%. O Brasil, parcos 2,5% no mesmo período (Pesek, William, Brasil e Índia no centro das atenções). Em 2008 o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil medido pelo método Paridade de Poder de Compra (PPP, sigla em inglês para  Purchasing Power Parity) foi de 1,977 trilhão. Já a Índia registrou um PIB, pelo mesmo método, de 3,388 trilhões. Esses números põem os indianos em 4º lugar no ranking das maiores economias do planeta, enquanto que o Brasil se situa cinco posições abaixo no mesmo ranking. Outro quesito em que levamos larga desvantagem é quanto à conta de investimentos no PIB. Por aqui os nossos dirigentes investem 19% nesse quesito, enquanto que na Índia esse nível de investimento é de 30%. A média mundial é de 20%. Quer mais? Pesek, que é articulista do Bloomberg News, fornece mais informações que são valiosas para uma confrontação numérica entre os dois países para mostrarmos que não houve tantos avanços assim pelas bandas do Cone Sul. Segundo o especialista, os nossos governantes têm gastado muito. 20% do PIB brasileiro evaporaram com os gastos do governo. Já no país dos marajás esses gastos ficaram 9% abaixo dos nossos.

Os números reforçam o que eu já havia escrito em dois artigos anteriores. A Índia é, sim, o país preferido de Estados Unidos e Europa para ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Basta pesar os prós e os contras.

 

Um abraço e até a próxima.

  

 



Escrito por NONATO NUNES às 11h32
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